A Terra Devastada
“A Terra Devastada”, título emprestado ao poema de T.S. Eliot, também a recordar a área industrial que é um “vale de cinzas”, no romance The Great Gatsby, é, no nosso festival, uma coisa própria, uma sessão que apresenta e se situa num compósito: um compósito de uma cidade — portuguesa — nocturna, barulhenta, habitada por sujeitos atomizados, percorridos por um mal-estar urbano, sobreviventes num lugar de “barulho e pó”, como afirma uma das personagens de “Consolação”. Ouvimos carros a passar, há coisas insanáveis entre as pessoas, sentem-se epifanias nas ruas e nas memórias soterradas.
Em “Arguments in Favor of Love”, de Gabriel Abrantes, o mundo lá fora já acabou: restam os últimos estertores das relações afectivas. Em “Consolação”, de Marianne Harlé, uma mãe e duas filhas, que vivem ao lado de uma pedreira, ficam acordadas pela noite dentro. Há tristeza a acontecer por toda a cidade: em “Carro Ultra Passado”, de João Salgado, filmado dentro de um carro, um homem despede-se do mesmo, à procura de alguém que o compre. “Nuno”, de Nuno Taborda, filme psicadélico, onde os becos são palco para a transmigração das almas. Em “Andar com Fé”, de Duarte Coimbra, um amigo está soterrado por baixo de Lisboa, talvez há muito tempo. Em “J.”, de António Pinhão Botelho, saímos de debaixo dos escombros, num filme que foi rodado em 2015 e que vê agora a luz do dia. A sessão cobre um arco, talvez optimista: amanhece, de facto, no fim.
Sessões
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| Sala 3