J-HORROR: Sessão Tripla
Chime, de Kiyoshi Kurosawa
O autor de trabalhos seminais como “Cure” ou “Pulse” apresenta-nos Matsuoka, um professor algo indolente numa escola de culinária. É no decorrer de uma das suas aulas que um aluno afirma ouvir algo que apenas ele parece escutar, o toque de uma espécie de sino. Som, mensagem ou convite, assim que o ouves, em casa ou no trabalho, o quotidiano — por vezes tão insípido e desenraizado — parece ceder o seu lugar a um espaço sem lei nem razão. Quarenta e cinco minutos bastam para evidenciar o supremo controlo de Kyoshi Kurosawa, cuja mão, sem qualquer indício de tremor, nos guia até ao epicentro do mais profundo desassossego.
New Group, de Yuta Shimotsu
Ai, uma típica rapariga de liceu, conhece Yu, um novo colega de turma que tem vivido no estrangeiro com os pais. Este, após um período longe do Japão, começa a questionar os preceitos que dominam a sua existência na escola. “Será que uma família é necessária?”, pergunta um dia. Ao mesmo tempo, um aluno é encontrado de gatas no pátio da instituição e não parece disposto a mexer-se tão cedo. Nos dias seguintes, mais e mais alunos juntam-se a ele, formando uma sinistra pirâmide humana. No mais recente filme de Yuta Shimotsu, o terror assume um carácter anti-sistema, e o drama de liceu serve como ponto de partida para a exploração da cumplicidade pandémica com as regras – e com aqueles que as impõem. Comentário social e generosas doses de hediondo suspense unem forças para despistar um quotidiano mecânico, composto por rituais desprovidos de sentido ou sensação, desmascarando a rotina como um genuíno pacto com o diabo.
Hotspring Sharkattack, de Morihito Inoue
Na pequena cidade japonesa de Atsumi, ferozes tubarões ancestrais espalham o caos nas instalações termais da região. Ao ver ameaçados os seus planos de abrir um resort de luxo, o presidente da câmara decide enfrentar esta ameaça mortífera com a ajuda de uma série de aliados improváveis. Ninguém está a salvo: locais, turistas e influencers são apenas alguns dos alvos desta praga de tubarões assassinos. Numa fusão de excêntricos efeitos práticos, abundantes referências a “Jaws” e até um submarino directamente saído de uma impressora 3D gigante, o filme de estreia de Morihito Inoue leva a sharksploitation a novos limites — e até às mais dispendiosas banheiras de hidromassagem. “Hotspring Sharkattack” tem conquistado o público um pouco por todo o mundo com a sua estética — e coração — no mínimo original, e prepara-se agora para invadir a costa portuguesa.
Sessões
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| Sala 3