O Corpo Estranho
O corpo enquanto coisa estranha que se sente, enquanto invólucro da alma, coisa física cuja realidade se impõe de forma inescapável: ao olharmos ao espelho e questionamos o porquê de haver uma coisa como o umbigo, por exemplo. A precária saúde e o ódio dos outros reenviam-nos para ele, para o nosso corpo. Por vezes, pura e simplesmente não sabemos muito bem o que fazer com ele, na vida ou na morte.
Nestas cinco curtas-metragens, o corpo é uma “questão”: coloca-se na nossa frente, está no caminho do pensamento. Em “O”, de Francisca Alarcão, o umbigo de uma rapariga teima em atormentá-la: mostrando sangue, aparecendo-lhe nos sonhos e nas formas redondas da natureza. Em “Autobiography of my Diabetes”, de Matthew Lancit um relato na primeira pessoa insere as crises diabéticas no universo de deterioração corporal do cinema gore e de terror. “A Culpa é da Água”, de Ana Leonor Guia, Marta Quintanito Roberto, Ruben Pinto e Tiago Magalhães, recorda-nos das piores violências que a intolerância e o mal invocam para um corpo. “Making it Fit”, de Mariana Leal, e “Antígona, ou a História de Sara Benoliel”, de Francisco Mira Godinho procuram saber que seguimento dar ao corpo depois da morte, no sentido prático, no caso do primeiro, entrevistando dentro da comunidade LGBTQIA+; no sentido da epopeia, no caso do segundo, à medida que Sara luta dentro do seu bairro pela possibilidade de um enterro digno para o seu irmão.
Sessões
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| Sala 3